Bunda-mole,

Se tem uma coisa que eu não admito é gritar comigo, sem eu ter feito nada, diria Kelly Key.

Embora eu acredite que não deveríamos gritar com ninguém, independentemente de terem ou não feito algo (ao menos no mundo perfeito seria assim), tem uma outra coisa da qual eu admito muito menos ainda do que gritaria sem propósito: os politicamente bunda-mole!

E estamos cercados por todos os lados de pessoas politicamente bunda-mole, e em ano de eleição isso é ainda mais inadmissível, porque até tudo bem se você não souber exatamente como o Banco Master operava uma das maiores fraudes bancárias/financeiras da história do Brasil, mas você deveria saber que uma das pessoas que concorre ao posto de presidente do Brasil recebeu mais de R$ 50 milhões desse dinheiro de corrupção; e está envolvida — bem além do pescoço — com o presidente fundador desse mesmo banco.

É que eu não gosto de política. E quem gosta?

Política é aquela coisa que não tem como gostar, porque, primeiramente, independentemente de onde você se encontra no espectro extrema-esquerda/centro/direita-extrema, tem sempre algo que os políticos estarão fazendo (ou que já fizeram de maneira sorrateira no calar da noite) que vai te irritar ou te estressar.

Tem uma lei, ou um projeto de lei, que com toda certeza existe ou está em vias de existir, cuja função é beneficiar os próprios políticos ou um dos seus $padrinhos$, e essa lei deve estar sendo aprovada nesse exato momento, tirando dinheiro público de um investimento necessário de benefício da sociedade para encher de dinheiro o bolso de alguém que já tem mais do que o suficiente.

Porque política, no cerne do que se tornou hoje em dia, é isso, uma manobra de narrativas para que as pessoas (políticos) possam administrar o dinheiro do país em benefício de algumas centenas de famílias ricas, que usam do seu dinheiro para ter acesso a mais dinheiro.

E é justamente nesse ponto que eu não admito que as pessoas sejam tão bunda-mole da maneira como são.

Se eu fosse rico eu certamente não estaria escrevendo esse texto, mas sou pobre e cercado de pessoas pobres que acreditam que a apatia à política não tem nenhuma consequência prática nas suas vidas.

Fomos levados a acreditar que política é o que algumas centenas de pessoas fazem em Brasília, um lugar provavelmente distante de onde você mora. Entretanto a realidade é que a política está presente dentro da sua casa, bem pertinho de você, o tempo todo.

É aquele velho ditado, mas que no dia a dia esquecemos: o preço do café depende da política.

Mas também o preço e a qualidade do arroz, do transporte público, o preço do pedágio; se tem médico ou não nos postos de saúde e nos hospitais da sua cidade e do seu bairro. O valor dos eletrodomésticos na Casas Bahia (que descanse em paz), o preço que você paga para assistir a um filme no cinema ou o preço da Coca-Cola no mercado.

A sua capacidade de comprar calcinha e cuecas novas até parece que não, mas também depende da política. Na vida (e até depois dela), tudo é política.

E se você elege pessoas que não se importam em olhar para como os mais pobres vivem, você não vai ter acesso a muitas coisas da qual você deveria ou desejaria, porque o seu salário (que também depende da política) não vai ser suficiente para o mínimo do mínimo.

Não dá para ser bunda-mole se você não nasceu herdeiro. E é justamente os ricos herdeiros os mais preocupados com a política, envolvidos na política e querendo dizer ao pobre em quem ou não votar, em quem ou não eleger para tomar conta do dinheiro do país.

E quando eu falo em herdeiro, eu me refiro aos ricos de verdade, não a quem ganha R$ 10 mil por mês e acredita ser parte da elite, porque você assalariado, mesmo ganhando R$ 10, 15 ou 20 mil reais por mês, se não continuar trabalhando, sua vida não se sustenta.

Você assalariado ou mesmo dono de um pequeno negócio, está longe de ter real poder sobre o que acontece ou não no nosso país.

E o mais próximo que você pode chegar desse poder é elegendo pessoas que são como você, que lutam de verdade para que a sua vida seja melhor.

Eu quero voltar aqui com histórias e exemplos do quão importante é não ser um bunda-mole político, porque enquanto o rico cada vez fica mais rico, o bunda-mole cada vez fica mais pobre!

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