já eu, não sou mais o mesmo!
Uma constante na vida de qualquer pessoa é a recorrente reclamação de como as pessoas mudam… e por esse motivo -a mudança- nascem novos conflitos e novos dramas.
É bem comum que gostemos de uma pessoa por um tempo, e do nada (embora nem sempre) aqueles comportamentos que apreciávamos na pessoa deixem de existir e com os novos comportamentos surgem também um senso de estranheza, “onde foi parar aquela pessoa que eu sempre conheci”, e concluímos que a pessoa mudou, e não só mudou, mas mudou o suficiente para que esses novos comportamentos nos causem estranheza – no mínimo.
Gostamos das pessoas por um motivo (ou mais, talvez), e somos apegados a esses motivos, porque são eles que nos relembram constantemente -consciente ou inconscientemente- de que conhecemos aquela pessoa. O que nos é familiar nos agrada, cria um senso de “sei onde estou me metendo”. E uma relação com o outro é um constante retorno para aquilo que conhecemos, para o esperado, uma constante sensação de saber onde estamos nos metendo.
Não é à toa que temos dificuldade em manter relações com pessoas instáveis, pois o desconhecido intermitentemente nos apavora.
E isso aqui não é um texto para dizer que o Cazuza em “metamorfose ambulante” estava errado. Crescer, mudar, evoluir, fazer coisas de uma nova maneira, ter uma nova perspectiva da vida é algo louvável, esperado e necessário muitas vezes. Mas manter uma personalidade instável, onde é impossível esperar o esperado, também pode ser conflituoso -consigo mesmo e com os outros-.
Só que nem sempre quem muda são os outros, muitas vezes as pessoas continuam sendo as mesmas que sempre foram, e quem muda somos nós, e ainda assim, mesmo o outro continuando a ser quem ele sempre foi, pode causar um problema.
Porque quando a gente muda, a gente não muda apenas quem somos, a gente muda a maneira como vemos e nos relacionamos com os outros.
Muitas vezes, quando a gente muda, conseguimos ter acesso a um mar de sensibilidades e a uma forma de enxergar a vida que talvez anteriormente não tínhamos.
E o conflito pode nascer daí, porque aquela característica, comportamento, maneira de levar a vida da outra pessoa que até então não nos causava nenhum tipo de distúrbio, passa a nos atravessar de uma maneira diferente, passa a ter um novo significado.
Então esses novos sentidos e significados que damos aos mesmos comportamentos podem trazer consigo um desconforto antes não existente.
Porque se até então aquele comportamento era algo despercebido, agora talvez você entenda que é uma desconsideração com o outro, um desrespeito com você ou “apenas” um abuso -contínuo-.
Assim, considero que seja natural o movimento de deixar ir embora das nossas vidas essas pessoas que, apesar de tudo, continuam sendo as mesmas que sempre foram, porque no final de tudo “você não mudou, já eu não sou mais o mesmo”.


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