O que a gente costuma chamar de direita ou de esquerda são, na prática, amontoado de ideias de como o curso da vida pública se baseia para formular politicas -publicas- para uma população.
A esquerda defende ideias, e a direita defende outras ideias. Não há nada de errado com isso, e é assim desde que construímos a sociedade em volta do poder do Estado (governo), é assim que funciona, pessoas concordam e discordam em determinados pontos, e desde que respeitados os direitos humanos dentro desse campo de discordância, tudo isso é saudável, é querido, é estimulado.
Só o contraponto a uma ideia consegue levantar reflexões que permitem que essa mesma ideia seja aprimorada.
O problema é quando não a respeito, quando não há limites e quando o lado oposto deixa de ser um adversário e se torna um inimigo.
É assim que o Bolsonaro governa. Para ele não há possibilidades de discutir ideias, não há um campo de mediação onde argumentos e contra-argumentos possam ser debatidos.
Para o Bolsonaro, quem discorda das suas opiniões deve ser exterminado, morto, varrido.
Não atoa quando questionado sobre assuntos delicados nas entrevistas e coletivas de imprensa (comuns para qualquer governante) que Bolsonaro abandona a sala, abaixa os microfones e deixa os jornalistas comendo moscas.
Como ele não pode fisicamente bater em quem faz as perguntas e como ele não tem paciência alguma para qualquer coisa que o contrarie, ele se retira. Ele vaza.
Bolsonaro é um ditador dos nossos tempos. Tudo a sua volta deve ser feito exatamente como ele diz, um ditador.
Seu maior sonho, se eu pudesse adivinhar, muito provavelmente seria o de ter nascido Rei.
Além de todas as ideias atrasadas que ele defende e que podem ser facilmente confundidas com ideias do século XVI, seu modelo de governar muito se assemelha ao da era Absolutista (1600), época em que reis e rainhas detinham o poder absoluto.
Época essa em que ninguém jamais poderia discordar das decisões do Rei, época em que matar alguém por ser “do contra” era mais que normal, era a regra.
É assim que Bolsonaro se vê enquanto presidente. O poder absoluto.
Só que ele se esquece que muito diferente dos reis e rainhas do século dezesseis, Bolsonaro governa no século vinte e um. O poder não o pertence, e o fato é que apesar de seu sobrenome ser Messias, diferente dos Reis e Rainhas que acreditavam ser enviados por Deus para governar a Terra, Bolsonaro não passa de um homem comum e qualquer, sem super-poderes e apenas ocupando a cadeira mais alta de um Estado democrático.
Estado esse construído com leis e regimes que devem ser cumpridos por todo mundo, leis essas que devem ser cumpridas até mesmo por aqueles que acreditam em ser um mito.
Texto originalmente publicado em 28 de Maio / 2022.


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