Encontros

A vida é uma sucessão de encontros e desencontros, onde recorrentemente chamamos de desencontros tudo aquilo que acontece diferente do que havíamos planejado ou expectado.

O desencontro é uma forma rasa, porem fácil, de demonstrar que algo não ocorreu da maneira que gostaríamos. Desencontros são o denominador comum do infortuno, daquilo que naturalmente gostaríamos de mudar como o qual aconteceu.

Porem ha uma beleza nos desencontros, existe um aprendizado que só é possível acessar a partir dos desencontros, é como se existisse uma lei que rege os desencontros e que não temos acesso no momento em que os desencontros estão acontecendo, mas que de alguma forma quando visto com distanciamento e tempo você consegue entender o motivo daquilo ter acontecido da forma como aconteceu.

Seja aquela vaga de emprego que você infelizmente não passou, mas que de algum motivo ou forma abriu portas para uma posição ainda melhor em outra empresa.

Seja aquele ônibus que você perdeu ao chegar 2 minutos atrasado ao ponto de ônibus, mas que fez com que você reencontrasse um antigo amigo que não via ha muito tempo simplesmente por pegar o próximo ônibus que você havia planejado pegar.

Sejam as mil possibilidades de desencontros que quando visto do presente fazem todo o sentido do porquê as coisas não terem saído da forma como o qual você havia estipulado.

É claro que essa é uma visão super otimista de olhar para as coisas que -de alguma forma- deram errado na sua vida, ou uma forma te tentar amenizar as amenidades que ocorreram e que frequentemente ocorrem nas nossas vidas. Mas essa também é uma forma de olhar para o passado e lembrar que você sobreviveu.

Que além de todos os momentos em que o universo jogou dados contra as suas possibilidades e suas vontades, e que mesmo que muitas coisas saíram muito diferente do que você desejou ou esperou, você continua aqui.

Os desencontros não são deterministas, não é o fim. Os desencontros são no máximo uma oportunidade de crescimento e aprendizado a longo prazo, porque é claro que não é fácil apenas aceitar que você perdeu aquela vaga de emprego, ou aquele ônibus, mas com tempo suficiente e um tanto quanto de paciência você aprende que talvez não ter saído da forma como você havia planejado foi o melhor que poderia acontecer.

É claro que essa é uma visão otimista, uma forma de nos acalentar daquilo que não tivemos a possibilidade de desenvolver de acordo como gostaríamos, mas também é uma oportunidade para revisar as nossas escolhas ao longo do tempo, principalmente as que não saíram conforme o plano.

Existem várias coisas da qual eu gostaria de ter feito diferente no passado e ter promovido um encontro assim como eu articulei dentro da minha cabeça, histórias que eu já havia planejado todo um futuro, mas que hoje não fariam o menor sentido se assim tivesse acontecido. Não me caberiam. E parando para pensar em como as coisas deram completamente errado, eu chego a conclusão que as coisas na realidade deram completamente certo.

Porque apesar de termos essa necessidade de controle, de previsibilidade, de querer muito que as coisas saem como nós desejamos, nem sempre o que queremos é de fato o melhor que poderíamos alcançar. Muitas coisas deixam de fazer sentido, e só notamos que sobrevivemos e que estamos em um estado melhor do qual imaginamos, porque agora do presente o desencontro fez todo o sentido para o nosso futuro.

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