EU GOSTO DE VOCÊ, TCHAU

Sim, um longo texto que passa por: história de redes sociais, relacionamentos, excessos & ansiedade.

Eu me lembro muito bem quando eu ouvi essa musica do Jão pela primeira vez. Foi amor à primeira ouvida.
Depois dessa veio “Óh meu D’us, eu vou morrer sozinho“. Eu até postei essa parte da música no Instagram para divulgar o trabalho que eu havia recém conhecido, algumas músicas, que antes desconhecidas, agora se tornavam parte da minha playlist diária.

Também me lembro de como a minha mãe respondeu espantada ao meu post, ao que tudo indica ela realmente levou o “morrer sozinho” a sério, eu expliquei para ela de como o post era apenas sobre uma música e então tudo ficou bem.
Foi o começo da era do Instagram, ao menos para a minha mãe. Hoje em dia acredito que a relação dela com o que eu posto no Instagram está bem mais resolvida. Eu ja não posso dizer o mesmo sobre mim.

Instagram, criei minha conta por lá no início de 2012. Churrasco no chão e carne sendo defumada ao ar livre, esse foi o meu primeiro post e a minha primeira foto naquela rede social, e  provavelmente este post não teve nenhuma curtida ou mesmo visualizações. Afinal, quem usava instagram com frequência nove anos atrás?
Eu era estudante de Marketing e Publicidade. Acompanhar as tendências fazia parte (e continua sendo) do requisito para ser um bom publicitário, então eu usava o Instagram.

O próprio ato de ser publicitário era uma tendência naquela época. Publicidade e Propaganda era o hype do momento e todo mundo queria ser um publicitário… inclusive eu, embora talvez ainda antes do hype. Não me lembro bem. Enfim, essa não é uma historia de como eu decidi a minha profissão. Seguimos.

Jão, musica e eu vou morrer sozinho?
Eu e o Instagram sempre tivemos uma relação bem complicada e diferente do que eu sempre esperei de uma rede social.
No ano que criei minha conta no Instagram deletei minha conta no Facebook.

Naquela época o Facebook estava causando problemas no meu relacionamento amoroso, e excluir o meu perfil em uma ação conjunta com meu ex (ele excluindo a conta dele), foi uma tentativa de salvar o relacionamento. Funcionou, embora não por muito tempo.

Sem Facebook, com poucas pessoas no Instagram e utilizando de forma consistente apenas o Twitter onde não havia muitas pessoas do meu convívio real e pessoal do mundo offline, eu me sentia “fora” da rede e sem toda aquela pressão social que as próprias redes sociais nos impõem ou ao menos nos requisitam.

Olhando para o passado eu acredito que foi em 2012 que comecei a esquecer de dar parabéns para as pessoas. Sem Facebook, convenhamos, quem sabe de cabeça e lembra o aniversario de todas as pessoas mais próximas? É impossível memorizar.
Também, talvez por causa disso que deixei de dar atenção as mensagens de “Parabéns” que recebo no dia do meu aniversário.

No twitter eu sempre utilizei a plataforma para divulgar links, eu vivia parte do meu dia no migre.me encurtando links para divulgar na rede social, na maioria das vezes notícias do G1 ou do R7 (eu era ingênuo), charges do Um Sábado Qualquer, posts do Te Dou Um Dado e do Morri de Sunga Branca ou alguma piada no KibeLoco (a verdade é acida e o kibe é cru – Antonio Tabet sou seu fã!). 

Eu sempre gostei de divulgar coisas, não importava o que era, seu eu considerasse interessante lá estava eu encurtando uma URL e divulgando onde quer que fosse possível.

Ai chegou a era do Instagram (e só para deixar bem claro, nunca houve uma era do Twitter, embora os tempos dourados entre 2009 e 2012 sejam memoráveis. Suspiros de saudade).

O Instagram chegou e com ele uma nova linguagem foi introduzida na sociedade. A rede social tinha um ‘que’ de FourSquare porque você podia marcar no mapa onde aquela foto tinha sido tirada, tinha um ‘que’ de Facebook porque você obviamente podia postar fotos e também tinha um pequeno pé do Twitter com as Hashtags (sim, o Twitter inventou a hashtag da forma que conhecemos hoje).

Com essas combinações e mais tarde roubando também a ideia do Snapchat com os Stories, o Instagram se tornava no que conhecemos hoje: A MELHOR REDE SOCIAL para acabar com a sua autoestima. Ao menos para acabar com a minha.

No Instagram não é possível divulgar links a não ser que você tenha mais de 15 mil seguidores e insira um “arraste para cima”no seu Story ou disponibilize uma url na sua bio. Você não tem a opção de divulgar links nas suas postagens para conteúdos que te levam para fora da rede social.

Assim como os cassinos em Las Vegas (que não tem janelas ou relógios e te faz perder a noção do tempo e em consequência o seu dinheiro) tudo que o Instagram quer é que você se perca la dentro, revirando posts e atualizando o seu feed, tudo isso com a certeza de que nenhum link vai te tirar de dentro da rede social.


Sobre como as redes sociais funcionam eu recomendo o documentário The Social Dilemma, mas em breve vai ter um post aqui no site falando à respeito.

Agora aquele meu velho hábito de divulgar links e espalhar coisas que ao menos para mim são relevantes e que podem ser interessantes para outras pessoas foi podado pela maior rede social do momento, substituindo conteúdo por fotos de comida, selfies e recortes de uma vida que provavelmente não representa o todo.

Ok, as redes sociais não foram criadas para que divulgássemos coisas que acreditamos ser importantes e compartilhadas. E também não há problema algum em tirar foto do seu prato de comida ou registrar um momento feliz e um recorte emocionante da sua vida. Também não vejo problema algum em selfies, eu mesmo tiro varias.

Mas tudo em excesso faz mal.

E hoje em dia, Instagram para mim é sinônimo de excesso.
Excesso de tempo sendo consumido na rede.
Excesso de exposição. Excesso de compartilhamento de nós mesmos.
Excesso de imagem. Sobrecarga mental, poluição visual. Vistas cansadas.
Excesso de “olha”. Excesso de propaganda, excesso de consumo, excesso do mesmo e do mesmo, dia após dia. Excessos.

Mas talvez você me diga que é só filtrar melhor quem você segue. Filtrar melhor o conteúdo. Filtrar o que ando consumindo. Filtrar pessoas.

Olha, eu até entendo e reflito sobre esse aspecto com frequência, mas como aprendi estudando comunicação, o meio é a mensagem, e depois de 9 anos de Instagram a mensagem para mim é clara: eu gosto de você, mas pelo menos por enquanto, e para a minha saude mental, tchau!

Nota de rodapé: tem alguns links interessantes (obviamente ‘lincados’) no texto que você pode clicar e entender melhor sobre o que se trata.
Quer saber quando o próximo texto sai? Sigo no Twitter, me segue lá 🙂

Photo by Yulia Matvienko

Uma resposta para “EU GOSTO DE VOCÊ, TCHAU”.

  1. Amei seu texto, eu dou tchau para o instagram com certa frequência, mas… acabo voltando tempos depois… uma espécie de vício/falsa necessidade. Precisamos (todos) de cura!

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