Eu percebo que as pessoas, e quando eu digo as pessoas eu também me incluo nesse grupo, estão cada vez mais com dificuldades de aceitar as diferenças. Eu percebo isso porque eu vivo isso.
Vivendo fora do Brasil, eu comecei, agora mais do que nuca, a me relacionar com todos os tipos de pessoas possível (abre aspas para “pessoas possíveis = brasileiros”). Nortistas, sulistas, heteros, drags, gays, de direita, de esquerda, de centro e calados.
Gente que se importa com o país que nasceu, gente que se importa com a política, e outros que só abrem a boca para falar o quanto o nosso pais -Brasil- é uma terra sem lei (bom, eu realmente poderia ficar aqui o dia todo só falando sobre a síndrome do vira-lata e de como isso é tóxico, mas esse não é o tema desse texto).
Convivo com pessoas educadas e alfabetizadas em sua maioria, mas que ao mesmo tempo não dão o mínimo valor a empatia.
Sabe quando você nota e percebe que uma pessoa é diferente, age diferente, teve estímulos e convívios diferentes do seu e por isso essa pessoa não é igual a você e não lida com todas as situações do dia a dia como você lidaria? Pois bem, eu sou cercado de pessoas assim, diferentes de mim.
Quando você sai do Brasil, você deixa a sua cultura para trás e vai viver a cultura de um outro país, completamente diferente do seu na maioria das vezes. E por incrível que pareça, gostando ou não, você acaba aceitando e convivendo com isso tranquilamente, mas essa mesma aceitação que você tem em relação as pessoas de um país diferente não acontece quando se trata de uma outra pessoa de mesma origem do que a sua, aqui no caso um outro brasileiro.
Deixa eu explicar: parece que aceitamos a forma como os outros países são em relação ao Brasil, toda a questão de diferenças e afins ao que você entende como Brasil, mas não aceitamos que outros brasileiros vivam e sejam diferentes de nós mesmos.
Aceitamos uma cultura estrangeira diferente da do Brasil, mas não aceitamos que dentro no nosso país também existam culturas diferentes.
Não é porque alguém é brasileiro que essa pessoa deve ser igual à você. Empatia.
E é isso que tenho notado e visto frequentemente, e que me leva a acreditar que estamos com uma série de dificuldades de aceitar os nossos semelhantes, sabe, sem esse papo de bíblia e catolicismo, quando digo os nossos semelhantes eu me refiro às pessoas que também vieram do mesmo país que nós viemos.
É bem fácil entender que um americano não age e não lida com as situações assim como nós particularmente lidaríamos, mas é tão complicado entender que um outro brasileiro, fora do Brasil, sob as mesmas condições que você, irá de alguma forma lidar com as situações diferentemente também.
(Esse até parece um texto que eu estou escrevendo com destinatários).
E aqui chegamos em um ponto do qual eu não tenho nenhuma solução, conclusão, respostas ou qualquer “clue”, que normalmente eu gosto de deixar no fim dos meus texto como uma janela aberta para analises e reflexões.
Eu só cheguei a essa conclusão, somos mais tolerantes com pessoas que não são originarias do nosso país .
Mas Jean, isso não é verdade, existe no atual momento uma crise de aceitação imigratória em todo o mundo. Pessoas que são completamente contra os imigrantes, sejam eles de onde forem, muitas polêmicas em relação às fronteiras, bordas, muro do Trump e tudo mais… como você me diz uma coisa dessa? Que somos mais tolerantes com pessoas de outras nacionalidades?
Pois bem, eu não me refiro as questões macro, mas sim as questões micro. O que eu quero dizer… eu me refiro a empatia e tolerância em relações entre amigos, colegas de trabalho, colegas de escola, faculdade… amigos e colegas em geral. Relações de primeiro contato. Somos mais tolerantes com um deslize de um amigo estrangeiro do que o mesmo deslize de uma amigo da mesma nacionalidade, e assim se aplica para todos os outros níveis de relações que você pode ter. É mais fácil entender que um americano age diferente, mas é tão difícil entender que um brasileiro também pode agir diferente… Saca?!
A questão é que independentemente das nossas origens, nacionalidades ou qualquer outro atributo de segregação, denominação e afins, pessoas podem ser diferentes umas das outras, pessoas são diferentes, e deveríamos aceitar isso com mais facilidade mesmo quando se trata de alguém de origem igual as nossas, porque por mai que possamos ser de um mesmo pais, cada pessoa é um mundo todo!
Se esse texto é muito distópico para você, porque você não vive em um outro país, ou porque você não tem nenhum amigo de outra nacionalidade, fica um aprendizado, um insight pro futuro. Mas se você, assim como eu, vive esse tipo de acontecimento, reflita, é tudo o que eu tenho pra dizer.
That’s all folks!


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