Sonhar, nunca desistir?

padre balão
Um sonho, um padre, alguns balões

Será que realmente nunca devemos desistir dos nossos sonhos?

Essa é uma linda utopia que a sociedade nos vende desde que somos crianças: de que quem sonha um dia alcança e de que jamais podemos deixar de correr atrás dos nossos sonhos. Mas seria isso verdade?

Eu acredito que uma vida sem sonhos é uma vida vazia, sem foco, sem rumo e sem objetivo. Nunca podemos deixar de ter algo do qual nos motiva viver, nos motiva sair da cama e que nos motiva a crescer na vida.

Esses sonhos, essas realizações e desejos são essenciais para dar sabor e contorno as nossas ações na vida, eles que nos guiam e nos norteiam na tentativa de realizar algo que nos satisfaça profundamente. Os sonhos são muitas vezes as bases de uma vida cheio de significância e significados.

É correr atrás dos nossos sonhos que nos mantém vivos. E na vida as pessoas têm variados sonhos. Algumas pessoas sonham em ser pais, outras em constituir uma família (seja ou não com a presença de filhos), algumas pessoas têm o sonho de casar na igreja, pessoas sonham com determinadas profissões, em viver em determinado lugar, em alcançar um patamar social especifico, em viajar, conhecer ídolos, ter bens, e assim essa lista segue quase que numa possibilidade infinita, até porque não somos guiados apenas por um sonho especifico de vida, e sim por uma sequência de sonhos realizáveis que nos prepara para alcançar o próximo objetivo a ser sonhado. Ou pela desistência do inatingível e a busca pelo próximo sonho.

A realização de um sonho não significa uma vida completa. Felizmente nãos somos jogos de vídeo game que após alcançar determinada fase somos zerados e completos. Podemos sempre e devemos sempre que alcançado um objetivo ou um sonho, determinar um novo, idealizar um novo. Construir novas possibilidades que nos motivarão.

Tudo muito lindo, tudo muito bacana.

Mas acontece que nem todos os sonhos são alcançáveis e infelizmente a sociedade nos diz que: nunca devemos parar de sonhar. Don’t stop dreaming!

E essa utopia social de que os sonhos devem ser perseguidos incansavelmente e inesgotavelmente faz com que muitas pessoas vivam em propósito de algo que talvez nunca será realizado.

Sonhar é bom, necessário e primordial para a nossas vidas, pois são os sonhos que decidem o destino de nossas vidas e alimenta as nossas ações em torno do que faremos para realiza-los, mas manter os pés no chão enquanto sonhamos é tão imprescindível quanto tê-los.

O “sonho de vida” no sentido figurado (ou metas de vida) recebe esse nome pois retrata o alcance de algo tão especial que nos representaria um sonho na vida real enquanto dormimos, pois nos nossos sonhos enquanto dormimos podemos realizar tudo, não há barreiras ou lógica.

E aí mora o perigo quanto traduzimos os nossos objetivos de vida como “sonhos”. Diferente do estado de repouso, os nossos objetivos de vidas seguem padrões, determinismos, regras, limites: cognitivos, sociais, religiosos, políticos e de uma variável enorme de leis que regem a nossa cultura e sociedade bem como as leis naturais do mundo.

Diferente dos sonhos, a vida real tem limites e barreiras, e entender isso na constituição de um objetivo de vida é primordial para que o seu sonho possa ser alcançado.

Seria lindo um mundo onde tudo que pudéssemos sonhar, pudéssemos realizar, mas a verdade é que mesmo com muitos esforços, empenho e com toda a nossa energia vital, nem tudo poderá ser realizado, pois algumas coisas simplesmente não dependem de nós.

Quando a sociedade nos diz que devemos sempre correr atrás dos nossos sonhos ela nos esquece de dizer que isso não deve se perpetuar até a morte, e que esse “correr atrás” também deve ter um limite limiar para que a busca não seja e vão.

Quando seus esforços e tentativas se mostram em vão para a realização de um sonho, e mesmo após inúmeras tentativas e investidas a realização do sonho se mostra indiferente e difícil, devemos ser maduros o suficiente e inteligentes o suficiente para determinar novos sonhos e deixar alguns de lado.

Devemos entender que embora dispomos de toda a energia para a concretização de algo importante para a nossa vida, as vezes as evidencias se mostram contrárias aos nossos anseios, e é quando devemos entender o momento de parar e se dar por satisfeito por ter tentado e não apenas idealizado. Enxergar a realidade após sequencias de tentativas é essencial para balancear os acertos, ganhos e percas para que possamos enxergar se o sonho poderá ou não ser alcançado e realizado.

Determinar novos sonhos em relação a sonhos não alcançáveis não é ser um perdedor, é ser inteligente o suficiente para entender que o mundo é mais complexo e que vai além das nossas forças de vontades e desejos, e após a constatação de que um dos nossos objetivos não poderá ser suprido e realizado, devemos determinar novos sonhos e trabalhar em prol da sua realização.

A maturidade deve sempre seguir o sonhador, para que ele não troque o sonho de vida por uma vida inteira de ilusões.